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2006

Ética Brasil Cidadania. . . Brasileiros

A sexta edição do Prêmio Porto Seguro Fotografia, cujo tema central “Ética Brasil Cidadania...Brasileiros” mobilizou 23 estados brasileiros e recebeu 1.119 inscrições, com 7.395 trabalhos apresentados, escolheu os fotógrafos Fernando Lemos e Luis Humberto para o Prêmio Especial. Paula Sampaio e Tiago da Arcela foram contemplados nas categorias Brasil e Revelação.

O Prêmio Especial Porto Seguro é conferido a profissionais pelo conjunto da obra e, neste ano, selecionou 16 fotos do português naturalizado brasileiro Fernando Lemos, e 22 do brasiliense Luis Humberto. A paraense Paula Sampaio recebeu o Prêmio Porto Seguro Brasil com a série NÓS - que retratou brasileiros anônimos “dentro de contextos regionais brasileiros, onde contradições e belezas nacionais estão evidentes”.

Tiago da Arcela, de Brasília, recebeu o Prêmio Porto Seguro Revelação com seu Projeto “Momento no Monumento”. Usando humor, ironia e linguagem contemporânea, seu trabalho instiga e induz à reflexão sobre o momento nacional através de monumentos da capital federal.

Entre os selecionados, é possível agrupar as propostas e linguagens em cinco blocos. O primeiro, dos ´urbanos`, com Lucia Guanaes, de São Paulo, que incluiu elementos arquitetônicos e paisagens de concreto para mostrar o isolamento humano nesse ambiente. Cecília Silveira, de Belo Horizonte, trouxe imagens das ruas e das ´figuras-seres` que dormem ao relento nas calçadas. Também paulista, Dudu Cavalcanti apresentou fotos que insinuam a passagem do tempo através da sobreposição de cartazes em postes.

O segundo grupo, que se concentrou na figura humana, como o paulista Ed Viggiani, que através de cenas de futebol criou uma verdadeira “crônica de memórias afetivas”. Já o baiano Adenor Gondim resgatou a figura feminina em posição de nobreza, ostentando sua dignidade. Iatã Cannabrava, de São Paulo, colocou o ser humano mesclado ao ambiente, a exemplo do ´seu` menino, que mostra a palma da mão em primeiro plano desfocado e, ao fundo, a parede de tijolos pintada de cal. Outro baiano, Márcio Lima, os mineiros Pedro David e Rodrigo Albert, Pio Figueiroa, de Pernambuco, e Valdemir Cunha, de São Paulo, criaram cenas humanas em situações limite, em que evidenciam aspectos socioculturais, religiosos, tradições e raízes.

Os ´antropológicos`, Luiz Braga, de Belém do Pará, e Roberto Linsker, de São Paulo, apresentaram o homem com seus símbolos e mitos.

No grupo de ´interiores`, que criou imagens a partir de habitações, o coletivo Cia de Foto mostra espaços vazios do edifício Prestes Maia, no centro de São Paulo, e a solidão de seus habitantes, mulheres, homens, crianças, denotando a luta por moradia de imigrantes latino-americanos e brasileiros que vêm para metrópole de todas as regiões. "ZUMBI 911", do paulista Daniel Kfouri, traz imagens de um edifício-favela, explorando a luz e os enquadramentos para criar situações oníricas e surrealistas. A gaúcha Eneida Serrano mostra ambientes domésticos tão limpos e organizados que, mesmo com sutis registros de uso, sugerem a ausência do ser humano.

No último agrupamento, que reuniu os que exploraram especificamente a linguagem contemporânea, o mineiro João Castilho trouxe referências neobarrocas, acentuando texturas e formas e criando ilusões de ótica que chegam a “conduzir o observador ao delírio”. Edu Marin Kessedjian, de São Paulo, com sua “Coleção das horas que faltam ou Solidão de bolso”, revela ambientes de uma atmosfera fria e cruel, expondo a opressão dos cárceres através da luz, dos ângulos distorcidos e da ausência humana. Também paulista, Fátima Roque, com seu “Caderno de Descontroles”, propõe a distribuição aleatória de seus livros, dessacralizando o objeto ao expor, para manuseio do público, seus delicados álbuns.

“O tema é revelado em cada trabalho, pois o Prêmio se propõe a identificar e difundir o que com absoluta liberdade foi apresentado pelos fotógrafos nas imagens premiadas e selecionadas.”
Cildo Oliveira – Curador


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