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Lugar comum é dizer que a velocidade das transformações alcança ritmo frenético. Há 100 anos, a população mundial beirava a 1 bilhão. Sessenta anos depois, chegava a 3 bilhões e, hoje, esse número dobrou. Como não haver mudança na paisagem, nas relações e na disputa do espaço comum? Com qual qualidade gostaríamos de chegar na metade deste século? A urbanização e verticalização das cidades corroe o tecido social? |
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Quando apreciamos fotografias antigas, com os senhores com seus chapéus de aba larga, no passeio com as damas de vestido rendado, nos dá uma certa nostalgia, mesmo que não tenhamos participado desse cenário. E os cavalos que deram lugar aos carros puxados por cavalos, que, por sua vez, foram sucedidos pelos bondes, automóveis, aviões...é o progresso a resposta para nossas indagações mais primordiais? Traçar esse panorama pela lente da fotografia - que também sofreu grandes transformações - faz meditar. Neste sétimo Prêmio Porto Seguro Fotografia, propomos quase que uma metalinguagem. É a fotografia falando sobre seu papel nos registros temporais ao longo destas transformações. É a provocação sobre a reflexão dos atrasos e avanços, as tristezas e belezas deixadas pelo seu rastro. Jayme Garfinkel
"O espaço atual nada mais é do que Uma cidade é a somatória de tempos e espaços que se acumularam ao longo da história. Dessa forma, uma cidade é sempre muitas cidades. De modo aparentemente desordenado, o espaço urbano construído abriu clareiras, devastou a paisagem natural, avançou para os lados e para cima em nome da modernidade. O processo de urbanização é o resultado da ação de várias forças no espaço, em que interesses diversos disputam os destinos da cidade. A possibilidade de moldar a natureza, por meio da razão e da força física, levou o homem a erigir monumentos a ele mesmo. A arquitetura se agigantou, ganhou escalas espetaculares fazendo com que o homem contemporâneo se tornasse um microponto na paisagem, ser solitário no cenário por ele próprio criado. Decorre daí uma espécie de nostalgia, de revisão do passado. Passa a vigorar a necessidade de retornar a um modo de vida mais simples, em harmonia com o próximo e a natureza. As tensões geradas pelo processo de urbanização e seus efeitos na percepção do homem também forçam positivamente a busca de novas soluções que têm o importante papel de revigorar a utopia coletiva de uma sociedade mais equilibrada, planejada e responsável. “Paisagens Transitórias” será o tema do Prêmio Porto Seguro Fotografia 2007. A transformação do espaço urbano e do meio ambiente, a iminência do esgotamento dos recursos naturais, a justaposição por vezes caótica entre o presente e o passado na paisagem urbana, assim como ações que buscam soluções na esperança de minorar os problemas advindos de um processo de urbanização não planejado, serão focos de interesse do Prêmio. A fotografia, em suas mais diversas aplicações pode espelhar, mediar, questionar e refletir, seja pela via documental ou por meio de experimentos que busquem referências na sua história. Se o modo de vida contemporânea nas grandes cidades se tornou complexo e por vezes caótico, a fotografia não deve ficar imune a tais questões. Deve responder ao seu tempo com uma linguagem crítica, viva, autônoma e mutante.
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